Quando chegamos, optamos por ficar em Miraflores - bairro onde ficam 9 em cada 10 turistas que vão para lá. O bairro é moderno, classe média, fácil de se localizar, com bons restaurantes, lojas. Não fica próximo ao centro, mas nada que um táxi não resolva (e por ali, eles são bem baratos).
Não estranhe por achar que está sempre nublado - essa é mesma a fama. Apesar disso, quase nunca chove. As temperaturas são bem boas - de 15 a 30 graus ao longo do ano. Ah, e por lá tem praia. Bem complicadinha de ir: além de ter um despenhadeiro... a parte de "areia"... é de pedras. Ou seja, bora deixar pra ir pra Copabacana - Rio mesmo.
Com seus 8,5 milhões de habitantes, você será só mais um por ali. O trânsito é caótico, os carros nas ruas variam de super novos importados a aqueles que deveriam ser restritos a lembranças do passado. Pegamos um taxi que me arrependi de não termos tirado uma foto: além de ser todo remendado, as janelas não fechavam e... claro, na cidade que QUASE nunca chove, nesse dia... choveu.
O jeito foi rir.
Apresentações feitas, vamos ao roteiro.
Hospedagem
Na nossa primeira parada em Lima, de apenas um dia (no outro, já fomos para Cusco, mas voltaríamos depois), ficamos num hotel que não me lembro o nome - e não vai fazer a mínima diferença aqui. Fato é que na segunda estadia, ficamos no Pariwana Hostel e foi o que valeu a pena.
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| Prepare-se para as escadas... / (foto: TripAdvisor) |
Dava para ter ficado em hotel? Sim. Mas o espírito dessa viagem era mochileira, então encorporamos e não nos arrependemos. O local tem um terraço massa, onde tem mesa de ping-pong, totó, vários posteres legais, mesinhas com guarda-sol, enfim... local mega relax para ficar na volta dos passeios.
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| A foto é do próprio albergue, mas o clima é esse mesmo / (foto: divulgação) |
Assim que chegamos, tomamos um táxi para a Plaza Mayor. A saída de Miraflores para o centrão da cidade é meio chocante. Primeiro, porque você pega vias gigantes, com milhares de carros. Depois, os prédios históricos, com fios aparentes, com vendinhas denunciam que, sim, você chegou ao destino final.
| Detalhes dos balcões de madeira entalhada da arte colonial peruana / (foto: Carina Dourado) |
Almoçamos por perto da Plaza Mayor, que é um centro comercial e financeiro da cidade, com muitos restaurantes - de tudo quanto é tipo - e onde se pode achar em qualquer buraco os famosos ceviches (não encontrei em nenhum outro lugar do mundo tão bons quantos os de lá, mesmo nos lugares mais simples são deliciosos - vale arriscar).
Dali, pegando a rua de trás da catedral, virando para a esquerda, fomos andando para igreja de San Francisco (na Calle Ancash, esquina com Calle Lampa). Nesse caminho, nos deparamos com algo já visto em prédios da Plaza Mayor: os famosos balcões de madeira de Lima. A maioria deles foi adotada por pessoas ou empresas para conservá-los, já que viraram atração e guardam um pouco da história da cidade.
Chegando na igreja de San Francisco, dava para notar que o local é concorrido. Ela é a igreja mais visitada de Lima. Não por sua beleza, em si - apesar de que, por dentro, ela é bem bacana, vale a pena fazer o passeio. O pessoal, na verdade, se amarra é numa morbidez. E ali há cerca de 25 mil ossos, guardados em catacumbas - já que o local foi um cemitério de 1674 a 1821.
A visita dura cerca de 40 minutos e para quem tem claustrofobia, recomendo ficar sentadinho do lado de fora esperando a turma voltar. O museu funciona das 9h30 às 17h30, com entrada custando 5 soles.
| Os ossinhos - não pode tirar foto... mas, né? Coisa do meu irmão / (foto: Diego Estrela) |
Seguindo reto a rua da igreja, fomos para o Parque de la Muralla, onde há as ruínas de uma muralha que delimitava a cidade, construída entre 1684 e 1686. O local é ok, mas o mais bacana é a vista do parque para as montanhas, cheias de casinhas pobres coloridas - versão peruana das favelas.
Saindo de lá, descemos duas ruas e viramos a direita, na Avenida Abancay para continuar a sessão morbidez no Museo de la Inquisición, onde há várias ferramentas e máquinas de tortura, com bonecos representando a ação. Mas quis o destino que a coisa parasse por aí pra gente e o prédio estava fechado. Para quem quiser, fica nessa avenida, esquina com a Calle Jr. Junin, 548 (a entrada é grátis).
Continuamos andando mais um quarteirão e descemos a próxima rua (Jirón Juallaga), em que demos de cara com camelôs, muita gente e barraquinhas de comida. Estávamos perto do Mercado Central. Resolvemos ir até para imergir na cultura peruana. E... ufa! Que imersão!
| Mercadão Central de Lima... / (foto: Carina Dourado) |
| Vai encarar? / (foto: Carina Dourado) |
Já estava escurecendo e decidimos pegar um táxi para ir para o Circuito Mágico das Águas. O local é um parque gigante, cheio de fontes de... água... com luzes, músicas e tal, onde você vai andando e se deslumbrando com tanta coisa linda.
| Meu irmão e centenas de "orbes" (vulgo bolas-brancas-de-espíritos)... ahaha... brincadeira, pingos de água no parque / (foto: Carina Dourado) |
Aqui, faço uma separação... porque no dia seguinte a gente foi para Cusco, seguiu viagem e no final, voltamos a Lima. Para não precisar abrir um outro post, vou colocar os locais que fomos, que foi bem fim de viagem mesmo - estávamos cansados - e ficou mais para compras.
Compras em Lima
No Centro da cidade, próximo a Plaza Mayor, é cheio de lojinhas de artesanatos e perengundengos. Me arrependi de não ter trazido um dos espelhos mega enfeitados que eles fazem por lá. Mas por ali é o local para comprar camisetas, lembrancinhas, ímãs, essas coisas.
Se você não é muito adepto de artesanato - como eu - então vá para os shoppings da cidade. E Lima tem uns bem legais, como o Jockey Plaza, que é lindo, com todas aquelas lojas que amamos e preços melhores que os do Brasil.
| Torre do Jokey Plaza, que fica muda de cor, rodeada por lojas / (foto: Diego Estrela) |
Outro local de compras e também para passear é o Larcomar, em Miraflores (fica a 2 km do albergue), que é um shopping que fica em cima do barranco (os precipícios com vista para o mar), super lindo. Local para sentar e ficar apreciando. Tem várias lojas, restaurantes e bares.
Duas lojas que conheci lá são legais também para fazer compras - a Saga Falabella - tem em vários pontos da cidade, fui em uma super perto do albergue e outra perto da Plaza Mayor, que é tipo a Macy's de lá, com perfumes, roupas, calçados, enfim... e preços bem convidativos.
E também a Ripley - tem uma perto do albergue, não falei que lá era um local estratégico? - que é um lojão também de artigos eletrônicos, a moda, coisas pra casa, enfim, enlouquecedor.
Ah, a dica: tem uma loja super linda de coisas para casa, daquelas que você não sai de lá sem alguma coisa, que é a CasaIdeas. De morrer as coisas de tão lindas! E eu realmente não me lembro onde foi que topei com ela nas nossas andanças em Lima, só sei que enlouqueci lá dentro.
Agora, para aqueles que querem se aventurar no mundo das feiras peruanas, há uma feirinha para arriscar. Quer dizer, feirinha, não... megacamelódromo (como li em algum lugar). O Peru fabrica roupa para diversas marcas, entre elas, a Lacoste. Há uma feira gigante de eletrônicos um tanto quanto duvidosos (tipo Paraguai) e de roupas.
Nessas feiras, "dizem" que as roupas de marca são aquelas refutadas pela indústria, por um defeitinho ou por não encaixar no padrão. Mas acho que também rola uma falsifiquê por ali. Enfim, você acha coisas da Lacoste, Pólo, Abercrombie & Fitch, enfim, né? Aquelas marcas da alegria dos falsificadores.
Ah, o nome do lugar? Polvos Azules, que fica no Paseo de La Republica... estrategicamente perto de hotéis luxosos e museus.
Outros passeios
Lima tem muito mais coisa para se ver, mas não deu tempo - e aí é desculpa para voltar lá outras vezes. Apesar de ser a capital gastronômica, lembro de comer bem, mas não entrei em nenhum restaurante famoso.
Deixo aqui o que o roteiro original tinha e que não fizemos:
. Museo del Congreso y de la Inquisición - Abre diariamente das 9h às 17h. – Entrada gratuita
Calle Jr. Junin nº 548 - É o mais visitado pois está instalado em uma mansão que pertencia as primeiras famílias limenhas. Tem bonecos representando os tipos de torturas.
. Museo Numismático de Perú - gratuito, não abre segunda. - Jirón Junin, 781 - Tem exposição de moedas, arte popular, coleção de ouro e algumas peças arqueológicas com mais de mil anos.
. Convento de Santo Domingo - Santuário de los santos peruanos. – S/7 meia S/.3.50
Até hoje vivem lá 12 frades. Há visita guiada que é excelente. Muito do que você vê no Convento de São Francisco, você verá aqui também. Mesmo assim vale a visita para conhecer a vida dos santos peruanos. Na igreja há algumas relíquias deles.
. Huaca Pucllana - Av. Gral Borgoño, Cdra.8
Abre de Qua – Seg – das 9h as 17h. Entrada S/. 10 sem meia entrada você faz um tour de 40 min com guia - Sítio arqueológico localizado no meio de prédios modernos em Miraflores. Era um centro cerimonial da cultura de Lima que se desenvolveu entre os anos de 200 d.c e 700 d.c Aqui você verá além das ruínas, o cachorro sem pelo, cuy, llama, algumas plantas típicas e entenderá a história da cultura de Lima.
. Chinatown - Calle Jr. Paruro, Barrios Altos. - Bairro inaugurado em 1971. Um dos maiores bairros chineses da América do Sul.
. Mirante do Barranco - Situado atrás da Igreja Ermitã de Barranco, é um ótimo local para apreciar o sol se pondo nas águas do Pacífico.
. Cerro San Cristobal - Montanha localizada a 500m acima do mar perto do Rio Rimac. No topo do cerro há um museu com fotos antigas de Lima, um mirante, uma cruz e um restaurante para degustar anticuchos (coração de boi picado na brasa). A noite a cruz fica iluminada. Na Plaza das Armas tem passeio ao cerro por S/.5 (40 min) - A região não é segura, melhor não arriscar.
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Outros links desse roteiro:
. Página 1 - Bolívia + Peru - o roteiro começa aqui
. Página 3 - Cusco - o coração inca
. Página 4 - Machu Picchu - a cidade perdida
. Página 5 - La Paz - uma cidade cercada de aventura
. Página 6 - Uyuni - o deserto de sal do sul da Bolívia
. Página 7 - Pisco e Ica - vamos a la playa?


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