domingo, 18 de maio de 2014


A cidade perdida dos incas é de tirar o fôlego - seja pela beleza do lugar, seja pelo sobe e desce nas ruínas. Por isso, ao chegar lá, é bom já ter se acostumado um pouco com a altitude.

O local, ao contrário do que imaginávamos, é mais quente do que Cusco. Parece que estávamos em um ambiente de floresta, no meio de montanhas, uma coisa mais tropical. Por isso, evite levar os casacões pra lá (ao subir pro santuário) e leve repelente, porque tem mosquito.

Continuando do post anterior, pegamos o trem à noite em Ollantaytambo em direção a Águas Calientes, a cidade ao pé das montanhas onde as hospedagens ficam para quem vai subir até Machu Picchu. Fomos pela Peru Rail, no último horário (às 21h), com os tickets já comprados pela agência de turismo que fechamos ainda em Cusco. Você pode conferir os horários aqui.

A viagem demora quase 2 horas. É servido lanchinho, as poltronas são confortáveis e capotei depois de alguns minutos que havíamos partido - o dia tinha sido cheio.

(Há outro caminho para se chegar a Machu Picchu, que é o Caminho Inca - uma viagem feita a pé, durante 3 dias, pelos amantes do trekking. Como não tínhamos tanto tempo disponível, resolvemos fazer a mais conveniente mesmo)

Os trens não são super modernos, mas são confortáveis, limpos e pontuais / (foto: Diego Estrela)
Chegando lá, nossa preocupação era achar o hotel que ficaríamos. Mas a cidade só tem praticamente uma rua bem íngreme onde se concentra toda a parte de turismo - hotéis, pousadas, albergues, restaurantes e agências. Fomos subindo, pedindo ajuda a quem estava por ali, até descobrir, que, claro, o nosso era praticamente o último da rua... quase no topo da montanha.

No dia seguinte, como indicado, acordamos de madrugada - tipo umas 4h30 da manhã - tomamos café (o hotel já é preparado para turistas, como nós) e fomos para o ponto de ônibus próximo à estação de trem, onde, já com os tickets em mãos, pegamos uns minibus que nos levaram até o topo das montanhas, onde está o Santuário Histórico de Machu Picchu. Lá, procuraríamos nosso guia. Foi tranquilo e deu tudo certo - apesar do medo da estrada super sinuosa e com despenhadeiro ao lado.

Hayna Picchu - a mais perigosa

Chegamos lá por volta das 6h da manhã porque ainda estávamos na dúvida se iríamos subir Huayna (ou Wayna) Picchu. A montanha é a que aparece logo atrás das ruínas, em praticamente todas as fotos de Machu Picchu tiradas logo na entrada do parque. O nome vem do quéchua, a língua inca, e significa "nova montanha". Lá também há algumas ruínas, onde morava o sacerdote da cidade. Do outro lado, uma caverna onde se localiza o Templo da Lua.

As ruínas de Huayna Picchu  - a subida é beeem íngrime / (foto: Wikipedia)

Para subir até lá, é preciso chegar cedo no parque, pegar uma fila para tentar conseguir uma das 400 senhas que eles dão diariamente - há 2 horários de subida, os primeiros 200 e depois o restante. No período chuvoso, a trilha é fechada devido ao aumento dos riscos.

A subida é difícil, demora 2h30, há lugares em que você praticamente se agarra a um cabo de aço para conseguir continuar e os guias se eximem da responsabilidade se você quiser chegar até lá. Afinal, todos os anos, há casos de turistas que despencam lá de cima, na tentativa de subir os 2720 metros (acima do mar) da montanha. E morrem, só para deixar claro.

Nós chegamos a ir até a fila, mas desistimos (principalmente as meninas), depois de ver o tanto de subida e descida que já tinha nas ruínas da cidade. O guia também nos disse que um francês havia morrido duas semanas antes... então, resolvemos deixar pra lá.

Histórias e mistérios

Quando se chega cedo em Machu Picchu, pode-se andar a vontade dentro do parque. O guia, que ainda esperava o grupo todo chegar, nos liberou e ficamos zanzando por ali, vendo as llamas que são criadas no santuário, tentando entender algumas ruínas e tirando fotos do local ainda vazio de turistas.

Para absorver toda a história de Machu Picchu, é preciso de ter um guia. O passeio durou umas duas ou três horas, com explicações detalhadas de como funcionava tudo. Templos com janelas que se enquadram nos solstícios - de verão e inverno - marcando os dias mais longos e mais curtos, respectivamente, do ano; pedras onde acredita-se que há uma concentração de energia; relógios solares...

As obras de engenharia do local são fascinantes. Eles tinham um sistema de drenagem de água, contra inundações e desmoronamentos, sistema contra terremotos, sistema de agricultura em cima daquela montanha de pedra... Acredita-se que a cidade ainda era um local de perigrinação dos incas, que a visitavam todos os anos.

Tudo são grandes suposições. Mas o mais misterioso de tudo é que a cidade simplesmente foi abandonada. Ao contrário de outros locais por onde passamos antes, em que os espanhóis chegavam e acabavam com tudo, Machu Picchu foi simplesmente largada por seus moradores, que saíram de lá não se sabe porque.

Foto da lateral da cidade... dá para ver que era planejada e segurou séculos sem desmoronar dali / (foto: Diego Estrela)
A cidade ficou perdida por anos. Foi "descoberta" pelo norte-americano Hiram Bingham em 1911 - mas há controvérsias. O peruano Agustín Lizárraga, de Cusco, já havia feito o caminho até lá em 1894, em busca de tesouros perdidos nas ruínas. E por ali, havia um camponês arrendatário das terras, vivendo há 8 anos. Sem falar que há histórias de um italiano e de um alemão que teriam passado bem antes do norte-americano pela cidade abandonada. Mas o que não sabiam naquele tempo - até a chegada do americano - era da importância das ruínas.

Carimbo no passaporte dos 100 anos de 'descoberta' de Machu Picchu / (foto: Diego Estrela)
Mas fato é que a descoberta arqueológica mesmo se deu em 1911 - e como nossa viagem foi em 2011, havia a comemoração, meio a contragosto dos peruanos, da chegada de Bingham ali. E, em comemoração, havia um carimbo para colocar onde quisesse - eu botei no meu passaporte - dos 100 anos de Machu Picchu. Dá para saber toda a história da expedição do pesquisador aqui nesse site.

Ponte Inca

Depois do passeio pela história das ruínas, pudemos ficar por lá à toa, o dia inteiro se quiséssemos. Aproveitamos para tirar fotos, voltar a locais onde já havíamos passado e gostado, brincar com as llamas. Mas alguém já havia levantado antes que era possível fazer uma trilha até a ponte inca.

Um dos pontos - estilo precipício - da trilha da ponte (na foto, morrendo de medo) / (foto: Diego Estrela)

Há placas indicando o local. Na entrada dessa trilha, há uma guarita onde você tem que assinar seu nome e horário de entrada - um controle para eles saberem há quanto tempo as pessoas estão lá e.... se voltaram (vivas, de preferência, néa?).

Henrique sentado na pontinha da pedra - pra se ter idéia da altura, ó o rio lá embaixo / (foto: Juliana Matsutani)
O caminho é super interessante, porque é uma trilha no paredão da montanha, com despenhadeiro do outro lado. E ele vai se afinando, afinando, até que você tenha que se agarrar em cordas para não ficar tonto com a altura - e o pensamento de que "vou cair, vou cair".

Início da parte com corda para se agarrar... deve ter mais de 2 km de onde estávamos... pra baixo / (foto: Diego Estrela)
O fim da trilha é uma barreira de madeira, de onde dá para ver a famosa ponte inca. Ela é pequena, confesso, mas o passeio valeu muito pela aventura. Pensando em como os incas-djênios fizeram isso há séculos atrás, naquela altura... bem... aí, o nível de dificuldade e entusiasmo volta a contagiar o espírito. A ponte é considerada uma obra de engenharia inca.

Henrique, com a "barreira" e a ponte inca ao fundo / (foto: Carina Dourado)

Fizemos a trilha toda em mais ou menos 1h, ida e volta, parando para tirar foto, indo tranquilo - há poucos turistas que sabem desse local. Na volta, claro, lembramos de colocar os nomes no caderninho do guarda só para garantir que ninguém iria atrás enlouquecido da gente.

Voltando para a cidade

Como já não estávamos mais no grupo de turistas, descemos na hora que quisemos, com os tickets já em mãos para o minibus (tudo já veio no pacotão da agência de turismo). Em Águas Calientes não há muito o que fazer. Sabíamos que tinham umas piscinas termais lá, perto do nosso hotel, fomos até lá dar uma olhada mas... não rola, não. Lugar meio esquisitinho, néa? (a.k.a. local propício para proliferação de fungos, bactérias e coisas do tipo) Um bando de gringo tomando banho, vermelhos, numas piscinas meio estranhas.

Aproveitamos para almoçar e depois ficar andando à toa na feirinha de lá, onde deu para comprar bastante perengodengos para dar de presente, camisetas de tudo quanto é tipo, artesanato, etc. Voltamos ao hotel para buscar nossas coisas e fomos para a estação, esperar nosso trem no fim da tarde.

Rua onde fica a maioria dos hotéis e pousadas de Águas Calientes / (foto: Henrique Matsutani)
O trem nos deixou em Ollantaytambo e, conforme combinado com a agência de turismo, havia um ônibus (na verdade, dezenas deles) esperando os turistas. Fomos procurando até achar qual era o nosso e voltamos para Cusco, chegando à noite.

A viagem seguiu para outro país depois... Bolívia. Mas já é assunto para outro post, tá?


***

Outros links desse roteiro:

. Página 3 - Cusco - o coração inca
. Página 6 - Uyuni - o deserto de sal do sul da Bolívia
. Página 7 - Pisco e Ica - vamos a la playa?

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